De uns tempos pra cá, além do novo ano que se juntou aos outros vinte dessa minha existência, muita coisa mudou. E há poucos anos atrás eu nem imaginava quantas surpresas os dias me trariam, o quão pesado seria o fardo. Confesso: não é fácil. Sei que muita coisa não deu certo, não ganhei na loteria, nem construí minha biblioteca, nem minha casa -plano para os 21 anos, 10 anos atrás... E há 10 anos eu não sabia de nada, hoje eu também não sei- mas me alegro por lembrar das coisas que deram certo e de pensar nas outras tantas que ainda darão, e não darão. Assim é a vida: cheia de percalços, cheia de alegria, e não há manual de instruções para vivê-lá, embora eu tenha tentado, por um bom tempo, bancar a Polyana, mas aprendi... Não há jogo do contente que dure uma vida inteira, que nem todos os nossos sonhos se tornam reais, que nem toda amizade é para sempre, nem todos os amores dão certo, que ainda vai morrer muita gente de fome, de calor, de bala perdida, que nem tudo é como a gente quer... e que não há nada que possamos fazer quanto a isso.