Eu sabia que não seria fácil, mas não imaginava que seria tão complicado.
Se eu fosse calcular o saldo dos últimos dias, passaria horas e horas somando e multiplicando números e mais números negativos. A sensação que tenho é que zeus mandou uma outra caixa de pandora, e esta caiu bem em cima da minha cabeça, espalhando aquele lixo todo ao meu redor, lixo que vai impregnando em meus sapatos e caminhando comigo por todo lado.
No final das contas, ninguém sabe de quem é a culpa. A gente esconde a nossa e tenta ver só a dos outros, mas sempre cai um pouquinho por entre os dedos, um pouquinho que a gente finge não ver, mas sente cair, sabe que está ali. E é esse pouquinho que incomoda, que a gente tenta colocar na mão de novo, segurar mais firme e carregar como se não existisse.
É assim sempre, a história é a mesma, algumas palavras trocadas, um ponto ou uma vírgula em lugares diferentes, mas nada que interfira no final. Nada suficiente para modificar a maneira que agimos quando, por acaso, ou, graças ao acaso, nos encontramos. Nada que preencha o abismo que fica a cada passo que damos em sentidos opostos.
E no final a gente realmente não sabe de quem é a culpa!
Se a culpa não é minha, nem sua, é de quem?