terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Confissão

Preciso dizer que tinha em mente os melhores pensamentos sobre a gente momentos antes da sua notificação descer sobre a tela e fazer com que eu deixasse pra lá as fotos dos panetones gourmet que estava vendo no instagram.

A principio um oi, solitário, em seguida um pedido de desculpas e uma justificativa meia boca, depois, silêncio e nada mais. Não respondi, não sei se porque a desculpa não merecia mesmo resposta ou se os desagrados dos dias já passaram da conta de mil, ou, ainda, se é só culpa da "fase dos vinte" que estou vivendo, regada daquela sensação de que a vida anda meio fora dos trilhos e que se tornar adulto não tem lá tanta graça assim.

Mas, apesar do silêncio, eu preciso dizer que acho que te amo, apesar das desculpas meia bocas, das coisas que me chateiam, de tudo que nos atrapalha de ficarmos juntos. Acho que amo você porque gosto de saber como vão as coisas, o que tem feito, se está bem, bem ou se está indo. Acho que te amo quando acordo ouvindo o passarinho cantar na janela e torço para que você esteja feliz. Quando o telefone recebe sua ligação e o coração bate rápido e as mãos suam frio, quando a gastrite nervosa chega primeiro do que a sexta-feira que vou te ver.

E, ao te ver, eu deixo de lado o eu acho, e me contento com a certeza. Preciso dizer: eu amo você.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Um ano

Muitas datas, muitos anos marcam a mesma história. Muitas palavras e momentos, também. Eu tentei, em vão, confesso, sair pela porta e não olhar para trás, tentei novos ares, novas companhias, novos amores e é estranho como tudo me remete a você. Ainda consigo te ver ao meu lado em toda noite que termina em pizza, e nem precisa ser de marguerita, sua preferida. Ainda sinto seu olhar expressivo e o seu humor doce que sempre acaba em um sorriso discreto.

Alguns pontos finais não se encaixam mesmo em certas histórias, mas, enquanto não percebia isso, fui engolindo com pesar todas as palavras bonitas que ensaiei para te falar quando acordei na madrugada pensando em você. Sei que fui eu que abri mão do nosso futuro bonito e desafiador naqueles segundos traiçoeiros em que o que eu disse pareceu um não disfarçado enquanto por dentro eu dizia sim, eu queria voltar, mesmo, e ainda quero.

Na verdade eu quero o ontem, com todas alegrias e toda dor, sem precisar tirar, mas talvez pôr um pouquinho de esperança que faltou, quero você de hoje em diante e sempre. Quem sabe deixar as feridas de lado e tentar mais uma vez, outra vez, eu sempre tentei, afinal. Quem sabe assim a gente consiga chegar ao mirante de bicicleta, e com tanta subida, tanto esforço, a gente não vê tudo bonito lá de cima, juntos, com o sol brilhando para nós? Já vejo coisas boas que nos esperam. Quem sabe um ano não seja o suficiente?

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Sem nexo, desconexo

Sei que ando em falta, podem culpar agosto. Ou os dias que não passam, ou as coisas que não vão nada bem. Passar agosto esperado setembro, se bem me lembro, era, anos atrás, uma opção, hoje não. Hoje passo agosto esperando que tudo melhore, mesmo. Não sei quando começou, quando vi já estava assim, sem cor, sem amor. Tenho perdido, muito, tenho deixado também. E quando voltei para procurar tinha sumido, talvez nunca tenha existido, não sei. Mas de toda forma ficam algumas partes boas e saudosas, às vezes tenho saudades do que eu achava que existia, ou do que me faziam acreditar que existia. Nada é fácil, e quem disse que seria? Desilusões existem, e nos cercam mais do que gostaríamos, mas, como no corre cotia, uma hora o predador se cansa e a presa escapa e vai ser livre pra lá, vai se (des)encontrar, e de tantos desencontros uma hora se encontra, vai olhar para trás e vai se lamentar, vai chorar, mas vai descobrir que foi melhor. Sacode a poeira, tem que ser forte, dizem por aí, e tem mesmo, o mundo não para enquanto a gente espirra.
Mas é assim mesmo, é só agosto fechando com portas pesadas, se assim não fosse não seria agosto.
Até

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Não consigo me conter:
Vou cutucar ferida rasa
vou me lembrar de você
naquela noite...
na esquina da praça

sábado, 20 de junho de 2015

Se eu te digo,
com poucas palavras,
que não tem volta...
não acredite:
 revolta

sábado, 6 de junho de 2015

Fase II

De uns tempos pra cá, além do novo ano que se juntou aos outros vinte dessa minha existência, muita coisa mudou. E há poucos anos atrás eu nem imaginava quantas surpresas os dias me trariam, o quão pesado seria o fardo. Confesso: não é fácil. Sei que muita coisa não deu certo, não ganhei na loteria, nem construí minha biblioteca, nem minha casa -plano para os 21 anos, 10 anos atrás... E há 10 anos eu não sabia de nada, hoje eu também não sei- mas me alegro por lembrar das coisas que deram certo e de pensar nas outras tantas que ainda darão, e não darão. Assim é a vida: cheia de percalços, cheia de alegria, e não há manual de instruções para vivê-lá, embora eu tenha tentado, por um bom tempo, bancar a Polyana, mas aprendi... Não há jogo do contente que dure uma vida inteira, que nem todos os nossos sonhos se tornam reais, que nem toda amizade é para sempre, nem todos os amores dão certo, que ainda vai morrer muita gente de fome, de calor, de bala perdida, que nem tudo é como a gente quer... e que não há nada que possamos fazer quanto a isso.

sábado, 16 de maio de 2015

mais ou menos dois


E parece que foi ontem, mas já se passaram meses. Sei que não se deve criar expectativas demais sobre nada nem ninguém, mas tudo ia tão bem, conforme meus anseios, que eu decidi contrariar e, por várias horas e de vários dias, nos vi assim: juntinhos. Nos imaginei planejando nossa viagem para a Europa, preparando sua massa preferida sexta-feira à noite e pedalando no amanhecer. Nos vi decidindo a cor do nosso sofá e o quadro da parede...

Mas acontece que eu não consegui admitir sua ida, e vez em sempre me pego pensando na gente. Acho que sou pequena demais para aceitar uma despedida. Ainda não aprendi o que devo fazer quando o futuro bonito e tentador vira passado antes mesmo de ter sido presente. Ainda não aprendi lidar com esse aperto aqui, que tenta unir, sem conseguir, o
meu coração partido.

Sempre achei que você seria o meu par perfeito, e você tinha tudo para ser, mas só me dei conta de que não era quando lembrei de mim, sentada, com o coração na mão, no lugar e horário marcados, esperando você chegar e acabar com o silêncio que há dias me atormentava. "Você não merece isso", você também não, pensei. Mas foi assim.

sábado, 25 de abril de 2015


Daquele dia em diante, tudo ficou meio incompleto, os dias vão passando depressa, o final de semana chega, e vai embora, e chega de novo e nada de taquicardias, nada da gente.
Até que me falaram, e eu duvidei! De novo não! Preferi acreditar que estava tudo certo, e que, se não estivesse, logo estaria. Mas às vezes a vida bate na nossa porta para cobrar nossas dívidas, e não há quem a impeça de fazê-lo.
E foi assim, como um tiro: certeiro, agoniante. Tudo ia bem, e, de repente, silêncio. De repente, quando olhei para frente, você não estava, ficou perdido, preso no seu mundo escuro que você mesmo inventou. E vez em sempre eu tento te resgatar, te trazer de volta para mim, ou ao menos de volta para a vida. E dói te ouvir dizendo que está "levando",  dói ainda mais perceber  que nossas vidas vão seguindo sentidos opostos, que o futuro é completamente incerto, que talvez eu tenha que viver para sempre essa realidade, viver para sempre sem você.

sábado, 28 de março de 2015


Tá faltando amor:
e tem gente sofrendo
e tem gente matando
e tem gente desejando a morte do matador.

Tá faltando amor
e tá sobrando dor.

quarta-feira, 4 de março de 2015

E por falar em macarrão afogado em tanto molho, foi um domingo e tanto para alguém como eu, que odeia domingos. Foi um dia e tanto para alguém, como eu, se lembrar como um dia perfeito deveria ser. 

Você, como sempre, terminou o seu prato primeiro do que eu, não porque come depressa, não! Você consegue ser cortês até comendo, e como eu adorava te admirar comendo,  mas porque eu não sentia fome. Acontecia sempre. Eu enchia só de estar com você, transbordava até, de alegria, quando a companhia era você: meu eterno companheiro. Mesmo que, agora, só de pensamento. Bom companheiro, boa companhia.

Mas e por falar em macarrão com molho branco e queijo, me desculpe porque empurrar meu prato em sua direção foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça nada delicada quando você pediu para experimentar um pouco do meu. Desculpe o meu jeito (ou a falta de jeito) de limpar o refrigerante que derrubei sem querer na sua roupa escolhida com esmero, e por todas as vezes que não fui do jeito que você merecia.

Mas foi um domingo e tanto, desses que deixam saudade. Como o mundo girava devagar quando eu estava com você. E ainda consigo enumerar todos os sorrisos que dei para mim na frente do espelho quando entrei no carro, repleta de certeza de que todos os domingos seriam perfeitos, se fossem com você.

terça-feira, 3 de março de 2015

030314

E a data chegou. Martelando na minha cabeça recém acordada. E o tempo passou porque a vida segue rápida enquanto paramos perdidos nas memórias pregressas, nos desejos para um futuro não muito distante.

Quatro anos. Foram quatro anos desde o primeiro oi que custou sair da boca, desde o "foi um prazer" que a gente quase não escuta mais por aí, da série de coisas que nos encantam... E naquele ano tudo era diferente. Os problemas que enfrentamos hoje não existiam, a vida era só flores, nada nos impedia de viver o que eu sempre quis: aquele nosso amor perfeito.

Sei que está sendo difícil, o abismo que nos separa é diferente do comum. Ninguém tem culpa na história. Nunca houve briga e nem ranger de dentes. Aconteceu apesar de tanta compreensão e paciência, as duas preciosas necessárias para que mudanças significativas aconteçam. Mas amar é difícil mesmo, sempre foi, bem antes do Romeu e da Julieta, da gente e de muitos outros que já amaram, ainda mais quando não existe mais aquela possibilidade de mãos juntas por tempo indeterminado ou quando bate aquela sensação de tudo certo, nada resolvido, quando na verdade não tem nada certo.

Esses amores cheios de lacunas são doloridos, mas bonitos, e, no meio de tudo isso, tem aquele instinto de autopreservação que nos leva de volta para os bons tempos de boas memórias, sorvetes na praça, pedal no entardecer e coisas afins. Mas fechar as portas para um amor doce e terno é um ato nobre ou covarde, dependendo do ponto de vista. Para meros mortais, como eu, como nós, insistir em um percurso que nos leva ao sofrimento nunca é uma decisão racional, mas, de tantas racionalidades que somos obrigados a engolir nessa vida moderna cheia de regras, o que se perde por desfrutar dos pequenos prazeres que vezenquando caem em nossas mãos? 

Te beijo daqui, neste grande Dia da Saudade que o tempo originou. 



sábado, 21 de fevereiro de 2015

No começo tudo tinha parecido inofensivo: um telefonema aqui, outro ali, alguns detalhes, sorrisos assimétricos para guardar na memória. E isso mudou? Parece que não. Parece que só aconteceu. Aconteceu, e o que sobrou vai sumindo devagar com o vagar dos dias. Às vezes preciso fechar os olhos para me lembrar daquelas noites de macarrão afogando em tanto molho, piadas sem graça e músicas boas de fundo. Faço as contas, agora são minimas as chances de um esbarrão. Pizza de marguerita domingo antes deu voltar para a vida-corrida-cheia-de-saudade ou um breve contato de epidermes então, nem pensar. 

Mas é assim que tem que ser. Ao menos por agora. É assim que o destino quis: nós dois, tontos de amor, isolados.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

vinte e

Querer, querer, eu não queria, mas aconteceu. Aos poucos, rodeado de muito silêncio e dor. Queria te dizer que foi difícil, sabe? É difícil explicar, hoje é dia vinte e alguma coisa, era para ser mais um mês que se juntaria com os outros últimos formando os melhores meses da minha vida. Mas não foi. E acabou assim, da maneira mais...

E dói! Agora eu sinto falta daquela foto nossa que eu não tenho, aquela em que eu escreveria o trecho da nossa música preferida e guardaria no livro que você me deu no Natal. A página dedicada eu acabei rasgando dia desses, mas lembro de todos os detalhes da sua letra, cada A escrito de um jeito, cada frase, cada vírgula e ponto. E quando me lembro dessa página, suspiro como da primeira vez que a li. O sorriso hoje é meio tímido, de uma ponta a alegria, da outra, o arrependimento.

E dói! Você me dói porque eu não posso te ter, porque eu preciso de você, das suas poucas palavras que valem por milhões de outras de uma pessoa qualquer, preciso de você para te mostrar o quanto do meu amor deixei voar perdido pelos nossos dias, preciso te dizer todas palavras bonitas que pensei quando estava a caminho da sua casa.

E não pense que eu não penso em você. Penso sim: quando meu celular toca aquela música que você me mandou, toda vez que te vejo online, e antes de ver também, quando alguém pede pizza domingo à noite ou quando assisto o desenho que passa às 23h:30min. Mas o que adianta você ser meu perfeito-amor se não posso te ter perto de mim?

Fique bem, querido! All of my love to you.