segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Escreveu Nietzsche em sua grandiosa obra "Assim falou Zaratustra": Amamos o desejo, não o desejado.

E, de repente, eu resolvi fechar a conta e passar a régua nessa história que permaneceu muito tempo sem fim. Fiz isso porque cansei. Foi do dia para a noite. Nietzsche estava certo, o que me mantia firme nessa luta pelo que, de fato, não valia à pena, era o desejo. Não mais o desejado. Este último foi perdendo a importância com o passar dos dias, com o silêncio duro, com as palavras vagas.

Não sei quando aconteceu, quando vi já estava assim, sem cor, sem amor. Me encontrei no meio desse vazio, e foi bom me livrar desse processo de auto sabotagem em que eu vinha vivendo. Foi bom porque me vi subindo a escadaria do mundo escuro que eu mesma criei, me libertando do que eu fingia que existia. Do amor que só eu tinha.

E hoje, olhando daqui de cima, eu sei:
esse amor sempre foi mais meu do que seu.
Mas quem se importa?

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Mal amanheceu o dia e eu já senti nas costas o peso que essa data traz. Já são 10h, e ainda estou debaixo da coberta, aproveitando, pela primeira vez na vida, o feriado do dia do funcionário público. E isso é bom? Seria se não fosse 28 de outubro. Se não fosse o bloco de notas cheio de palavras perdidas e a esperança no que não vale a pena que insiste em ficar.


sábado, 15 de outubro de 2016

As coisas mudaram. E mudam. Muitas vezes a gente fica alimentando as fantasias (normalmente com imagens em HD), convivendo vários anos com elas até perceber que já não se importa mais. Daí elas se tornam gastas, quase que insignificantes. Tenho me sentido cada vez mais à vontade com a realidade. Tenho apostado muitas fichas no presente. Bonito, tentandor. Conformidade? Talvez! Mas prefiro olhar como mudança dos ventos... O fato é que ando cada vez mais dependente da solidão. E aí de quem achar que isso é o fim.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

E assim eu vou vivendo
me encontrando
e me perdendo.
Às vezes pior,
um pouco melhor.
Quem compreenderia?

domingo, 9 de outubro de 2016


Sempre gostei de ver o sol se pôr,
do dia virando noite.
Acho que sempre gostei da noite,
da lua,
do vento,
do silêncio da madrugada
onde penso em todas palavras não ditas, reinvento a memória,
o fim
da história
que escrevemos juntos
mas que você colocou um fim.
Sem mim

sábado, 8 de outubro de 2016

Só venha

Tomara que não tenha ouvido, mas, se ouviu, volte...
Volte para beber mais um pouco do chá que só faço em ocasião especial, para comer torradas com requeijão e mel que sei que você também adora. Volte e fique, até amanhã, ou até depois de amanhã, ou todos amanhãs que você quiser, mas fique.  Fique com o meu amor, com o meu eu que também é seu, fique com o meu livro preferido, o meu tempo livre, meus sorrisos mais felizes e com o que mais você quiser. Venha e traga mais: suas melhores músicas, aventuras, boas histórias e fotos para colocar na parede. Venha com a flor do arrependimento de sempre, ou venha sozinho, sem nada, mas venha, só venha.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

se

Se eu pudesse, ficaria aqui. Passaria horas escondida no meu cantinho invisível, e aí, quando eu me cansasse, poria para tocar as músicas da playlist que fizemos juntos. Pegaria o meu celular e discaria o seu número, mas não colocaria para chamar. Só mesmo para ter a certeza de que ainda o sei de cor. Mandaria talvez uma mensagem curta para saber como vão as coisas e entraria no seu Facebook para ver suas únicas cinco fotos antigas enquanto o celular  não apita com a resposta breve ou com um áudio engraçado, a depender do dia.

Se eu pudesse... Não posso! Peço uma pizza portuguesa, que nem é minha preferida, mas é a melhor da promoção. Tiro todas azeitonas. Te ligo. Do whatsapp mesmo. Só queria contar que estava na sacada comendo pizza na mão. Já fizemos muito isso. Queria dizer que também gosto de luz fraca vindo de dentro,  vento soprando no rosto, barulho de copo batendo no chão... Ao invés disso, tanto faz, foi bom não ter atendido.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Relato de um dia de um janeiro qualquer

Quase passou despercebido, mas eu te vi... você caminhava até seu carro, do outro lado da rua, com as mesmas pernadas tranquilas de sempre. De cabelos curtos, sacolas nas mãos, tinha acabado de sair do mercado.

Fingi que não, mas vi que você também me viu. A adrenalina já corria nas minhas veias quando você guardou as sacolas no carro, acionou o alarme e veio ao meu encontro, rodando a argola do chaveiro com o polegar e o indicador: gesto involuntário e rotineiro.

Em outra época eu não saberia o que fazer se te visse caminhando em minha direção, mas aquele dia, enquanto fixei meus olhos em você, passaram por mim sensações extremas que iam de felicidade&raiva& outros tantas que até hoje não sei descrever.

Aconteceu.

O amor me encontrou e ficou.

Mudo.
Chove muito lá fora
aqui dentro também.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Não quero e não vou comparar a minha dor com a sua, não é justo e nem faz sentido. Sim, porque lá no início, quando o nó ainda era um laço e a gente trocava frases de autores famosos e dos nossos livros preferidos no café da esquina que, na época, quase ninguém conhecia,  ficou decidido que, embora em extremos diferentes, fazíamos parte do mesmo fio, nem sempre juntos, porém nunca separados.

Também não quero e nem vou fechar as portas para você, não vou romper o fio que nos une, nem abrir mão de todo um futuro bonito, tentador, afinal esse mundo é vasto, os caminhos são amplos. Pode ser que você se amarre  a uma ponta de outro fio, encontre o amor perfeito e seja eternamente feliz. Pode ser que o destino se canse e acabe juntando os pontos, juntando a gente.

Ou pode ser que não.

Enquanto isso, navegando vou sem paz, sem ter um porto, quase morro sem um cais.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

E ai, quando me dei por vencida, me vi dominada pelo meu próprio orgulho. Austen me entenderia aquele dia em que guardei minha dor na gaveta e saí à francesa, sem sequer olhar para trás. Não sei quantos "até nunca mais" eu disse numa fala muda e nem quantos sorrisos que expressavam falsa vitória eu dei enquanto fazia o caminho de volta para casa. Aquela hora tudo parecia bem, mas a verdade é que eu só percebi como o amor é uma coisa valiosa, e frágil, depois que já o tinha espatifado com minhas próprias mãos, ali naquele momento traiçoeiro que foi o marco zero para uma vida cheia de saudade. E digo saudade em seu mais profundo significado: saudade do que não tem mais volta. Coisas demais foram e têm sido ditas. Coisas demais têm me tirado o sono, o riso, o tédio, a saudade superficial e breve. Mas muita pouca coisa tem sido perdoada.

•••

Insiste que vale a pena, eu digo para mim mesma, mas nós últimos meses, que juntando todos já dão quase um ano, eu tenho pensado que insistir no que, claramente, não tem dado certo, não seja a melhor opção. Isso de ficar juntando feridas à outras já passou da conta de mil. A vida é uma soma de momentos, dia após dia. Talvez esperar as coisas se ajeitarem seja a melhor escolha. O amor é o maior sentimento que podemos ter, mas o amor necessita do perdão. Perdoar é deixar a vida seguir. 

Tomara que me encontrem por aí.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Juntei minhas malas, minha coragem e vim. Em busca do novo, do sonho, da paz, de mim. E foi bom. A poeira abaixou, e descobri que, às vezes, estar bem é estar longe dos outros, perto de si. Agora sei que posso ser feliz apesar de acordar e não ter mensagem de bom dia e um coração azul aguardando para serem visualizados,  que não é necessário duas ou mais bocas para se comer uma pizza e que Led zeppelin, coca cola trincando de gelada e amendoim são boas companhias para uma madrugada de insônia qualquer.
 E madrugada adentro abro minha janela de tela, abro um sorriso: foi bom ter vindo.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

não tem fim

Sempre que as notificações começam a surgir com frequência, eu me lembro das noites frias de lua cheia, pessoas caminhando no parque, pipoca e algodão doce colorido embalado num plástico que era enchido no sopro - diziam - . E eu lembro disso porque, sempre que há conversa, há esperança de mais dias felizes para guardar na memória, porque sempre parece que vai dar certo, que não vai faltar motivo para um sorriso contido entre um paciente e outro.

A esperança é a última que morre, mas morre. Já morreu várias vezes, e várias vezes surge das cinzas para lembrar que depois da alegria vem dias escuros e pesados

domingo, 18 de setembro de 2016

Conto até 10, respiro fundo e tento conseguir o mínimo possível de domínio sobre mim ao mesmo tempo que ouço, de longe, a música que traduz a sua independência.
De nós.
De mim.

Tudo certo.
Nada resolvido.

domingo, 11 de setembro de 2016

Indireta recebida

Isso tem ocorrido com frequência: assim como todas os vídeos de rock que compartilho no Facebook são para você, vou pegar todos esses do teatro mágico que você tem compartilhado para mim.
O Facebook tem dessas coisas...

domingo, 21 de fevereiro de 2016

texto curto, saudade grande

Quando pedi a senha da WiFi no restaurante, fizemos piada das palavras engraçadas e sem sentido assim que elas nos foram passadas. Naquele momento de silêncio mútuo que pedia para trocarmos o assunto, pude observar seus lábios que, iguais aos meus, se uniam em um sorriso discreto. "Como era mesmo a senha naquela pizzaria?" Na minha mente eu já tinha a resposta, eu também já havia voltado naquele sábado de novembro em que comemorávamos o sétimo mês de namoro. E lá estávamos nós: lembrando bons e saudosos momentos, acompanhados por sua massa preferida e um certo grau de tristeza. Estávamos juntos, porém separados. Estávamos juntos. No outro dia separados. E assim tem sido.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Aquele dia começou morno, nada ruim, nada bom, e terminou com uma ligação demorada, um encontro marcado para breve, depois um convite para o cinema: a sétima parte de uma história que eu não acompanhei, você também não, eu soube depois. Mas quem se importa? Daquela vez parecia que daria certo, de repente uma pontinha de esperança começou a crescer com o passar dos dias.

Aquele dia eu zerei o marcador e dali em diante tudo seria doce, e bonito. E foi, por um breve e saudoso período. Foi assim: eu vi a metade de mim subir a rua e dobrar a esquina sozinha. Metade de mim foi embora enquanto a outra metade se encontrava perdida no tempo e no espaço, tentando entender o que de fato havia acontecido. 

Hoje eu já sei, a culpa é minha. Sei que fui eu que o coloquei nosso amor muito próximo do topo das minhas prioridades. Eu sei que esse amor é mais meu do que seu, talvez tenha sido sempre assim.