sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Mal amanheceu o dia e eu já senti nas costas o peso que essa data traz. Já são 10h, e ainda estou debaixo da coberta, aproveitando, pela primeira vez na vida, o feriado do dia do funcionário público. E isso é bom? Seria se não fosse 28 de outubro. Se não fosse o bloco de notas cheio de palavras perdidas e a esperança no que não vale a pena que insiste em ficar.


sábado, 15 de outubro de 2016

As coisas mudaram. E mudam. Muitas vezes a gente fica alimentando as fantasias (normalmente com imagens em HD), convivendo vários anos com elas até perceber que já não se importa mais. Daí elas se tornam gastas, quase que insignificantes. Tenho me sentido cada vez mais à vontade com a realidade. Tenho apostado muitas fichas no presente. Bonito, tentandor. Conformidade? Talvez! Mas prefiro olhar como mudança dos ventos... O fato é que ando cada vez mais dependente da solidão. E aí de quem achar que isso é o fim.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

E assim eu vou vivendo
me encontrando
e me perdendo.
Às vezes pior,
um pouco melhor.
Quem compreenderia?

domingo, 9 de outubro de 2016


Sempre gostei de ver o sol se pôr,
do dia virando noite.
Acho que sempre gostei da noite,
da lua,
do vento,
do silêncio da madrugada
onde penso em todas palavras não ditas, reinvento a memória,
o fim
da história
que escrevemos juntos
mas que você colocou um fim.
Sem mim

sábado, 8 de outubro de 2016

Só venha

Tomara que não tenha ouvido, mas, se ouviu, volte...
Volte para beber mais um pouco do chá que só faço em ocasião especial, para comer torradas com requeijão e mel que sei que você também adora. Volte e fique, até amanhã, ou até depois de amanhã, ou todos amanhãs que você quiser, mas fique.  Fique com o meu amor, com o meu eu que também é seu, fique com o meu livro preferido, o meu tempo livre, meus sorrisos mais felizes e com o que mais você quiser. Venha e traga mais: suas melhores músicas, aventuras, boas histórias e fotos para colocar na parede. Venha com a flor do arrependimento de sempre, ou venha sozinho, sem nada, mas venha, só venha.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

se

Se eu pudesse, ficaria aqui. Passaria horas escondida no meu cantinho invisível, e aí, quando eu me cansasse, poria para tocar as músicas da playlist que fizemos juntos. Pegaria o meu celular e discaria o seu número, mas não colocaria para chamar. Só mesmo para ter a certeza de que ainda o sei de cor. Mandaria talvez uma mensagem curta para saber como vão as coisas e entraria no seu Facebook para ver suas únicas cinco fotos antigas enquanto o celular  não apita com a resposta breve ou com um áudio engraçado, a depender do dia.

Se eu pudesse... Não posso! Peço uma pizza portuguesa, que nem é minha preferida, mas é a melhor da promoção. Tiro todas azeitonas. Te ligo. Do whatsapp mesmo. Só queria contar que estava na sacada comendo pizza na mão. Já fizemos muito isso. Queria dizer que também gosto de luz fraca vindo de dentro,  vento soprando no rosto, barulho de copo batendo no chão... Ao invés disso, tanto faz, foi bom não ter atendido.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Relato de um dia de um janeiro qualquer

Quase passou despercebido, mas eu te vi... você caminhava até seu carro, do outro lado da rua, com as mesmas pernadas tranquilas de sempre. De cabelos curtos, sacolas nas mãos, tinha acabado de sair do mercado.

Fingi que não, mas vi que você também me viu. A adrenalina já corria nas minhas veias quando você guardou as sacolas no carro, acionou o alarme e veio ao meu encontro, rodando a argola do chaveiro com o polegar e o indicador: gesto involuntário e rotineiro.

Em outra época eu não saberia o que fazer se te visse caminhando em minha direção, mas aquele dia, enquanto fixei meus olhos em você, passaram por mim sensações extremas que iam de felicidade&raiva& outros tantas que até hoje não sei descrever.

Aconteceu.

O amor me encontrou e ficou.

Mudo.
Chove muito lá fora
aqui dentro também.