E a data chegou. Martelando na minha cabeça recém acordada. E o tempo passou porque a vida segue rápida enquanto paramos perdidos nas memórias pregressas, nos desejos para um futuro não muito distante.
Quatro anos. Foram quatro anos desde o primeiro oi que custou sair da boca, desde o "foi um prazer" que a gente quase não escuta mais por aí, da série de coisas que nos encantam... E naquele ano tudo era diferente. Os problemas que enfrentamos hoje não existiam, a vida era só flores, nada nos impedia de viver o que eu sempre quis: aquele nosso amor perfeito.
Sei que está sendo difícil, o abismo que nos separa é diferente do comum. Ninguém tem culpa na história. Nunca houve briga e nem ranger de dentes. Aconteceu apesar de tanta compreensão e paciência, as duas preciosas necessárias para que mudanças significativas aconteçam. Mas amar é difícil mesmo, sempre foi, bem antes do Romeu e da Julieta, da gente e de muitos outros que já amaram, ainda mais quando não existe mais aquela possibilidade de mãos juntas por tempo indeterminado ou quando bate aquela sensação de tudo certo, nada resolvido, quando na verdade não tem nada certo.
Esses amores cheios de lacunas são doloridos, mas bonitos, e, no meio de tudo isso, tem aquele instinto de autopreservação que nos leva de volta para os bons tempos de boas memórias, sorvetes na praça, pedal no entardecer e coisas afins. Mas fechar as portas para um amor doce e terno é um ato nobre ou covarde, dependendo do ponto de vista. Para meros mortais, como eu, como nós, insistir em um percurso que nos leva ao sofrimento nunca é uma decisão racional, mas, de tantas racionalidades que somos obrigados a engolir nessa vida moderna cheia de regras, o que se perde por desfrutar dos pequenos prazeres que vezenquando caem em nossas mãos?
Te beijo daqui, neste grande Dia da Saudade que o tempo originou.