segunda-feira, 16 de junho de 2014

Era para ser, e não foi

Ir ou ficar? Essa lâmina afiada, pequena e ingrata que vive nos partindo. Sei bem que, do lado de lá, depois dessa porta que me confina, existe todo um mundo bonito, tentador, mas permaneço presa por minha consciência e meu coração partido que me impedem de girar a chave, de caminhar para longe.

Arrisquei-me, e fui! O ar fresco do início da manhã batia em meu rosto enquanto eu caminhava, a dúvida era fiel companheira, mas eu queria te ver, te dizer algumas coisas que ficaram perdidas no passar dos dias, queria te ver para gotejar nossas lágrimas sofisticadas, nossa solidão habitada. Não consigo me conter a insistência em cutucar estas feridas rasas.

Não demorou, e te vi, distante. A essa altura eu nem recordava mais o discurso decorado que fiz para a situação. Somos dados viciados, nossa relação nunca conseguiria desprender daquilo que poderia ter sido e não foi. Mas sei que o amor mais sem esperanças é mais iluminado do que essas lacunas que se abrem dentro de nossos silêncios, nossos dias insones, nossas memórias pregressas.

Pensar no celular apertado pelos dedos suados, nas consequências de uma ligação feita, é melhor do que enfrentar a finitude alheia, as entrelinhas despercebidas, o cansaço de alguma coisa feita em vão. E além do mais, sou forte, já me encontrei demais para me deixar levar por qualquer vento de amor, qualquer brisa de verão. Tenho os pés no chão. Resisto. Paro onde estou e te observo ao longe, distante.

domingo, 1 de junho de 2014

Já estava fechando as janelas para voltar para a aula, quando o celular toca. Não one day como de costume, mas so long, new love. Terceira vez na semana, estou contando. Sei quem liga, mas ainda assim, olho para o celular, meio incrédula, como das outras vezes. E naquela dúvida entre atender e não atender, acabo ficando com a segunda opção. Não demora muito e o celular toca novamente, so long, new love, I came to say goodbay, dessa vez atendo. A voz meio rouca, mas no tom ideal, nem baixo e nem alto, entregava o sorriso assimétrico e o humor doce: mas está difícil, ein?! você diz, você já foi mais rápida...

Há um ano, dois, talvez, o celular tocava outra música quando você me ligava. Taquicardia era fiel companheira do oi até o tchau, mas agora, dada as circunstâncias, muita coisa mudou. Começo a ficar sem assunto. Tenho que desligar, conheço os meus limites. Estou indo ao mercado, depois nos falamos, digo.

Da outra vez que me ligou, os bons vento da noite de hoje-é-quinta-e-amanhã-vou-para-casa me deixaram mais animada. Cinema amanhã? Ou um açaí? Sorrio. Um sorriso meio irônico, meio sincero. Cinema e açaí com você eram três das minhas paixões. Vou direto para a fazenda, menti.

Até tento nos enganar, fazer de conta que não me importo mais. Te ver entrar e sair do facebook e não dizer nem oi, ou demorar horrores para te responder quando você inicia uma conversa. Mas sou ruim no disfarce. E você sabe disso.

Podíamos no encontrar menos, uma vez no ano, quem sabe... com um abraço envergonhado, fingindo  que nossa história nunca existiu. Mas não. Não porque te criei à imagem e semelhança das minhas melhores ilusões, e assim você tem permanecido. Fecho os olhos e torço: não ligue mais. Sei que sou refém das suas idas e vindas. Não quero te atender. Não quero aceitar seus convites... Mas é que é tão difícil resistir.