Já estava fechando as janelas para voltar para a aula, quando o celular toca. Não one day como de costume, mas so long, new love. Terceira vez na semana, estou contando. Sei quem liga, mas ainda assim, olho para o celular, meio incrédula, como das outras vezes. E naquela dúvida entre atender e não atender, acabo ficando com a segunda opção. Não demora muito e o celular toca novamente, so long, new love, I came to say goodbay, dessa vez atendo. A voz meio rouca, mas no tom ideal, nem baixo e nem alto, entregava o sorriso assimétrico e o humor doce: mas está difícil, ein?! você diz, você já foi mais rápida...
Há um ano, dois, talvez, o celular tocava outra música quando você me ligava. Taquicardia era fiel companheira do oi até o tchau, mas agora, dada as circunstâncias, muita coisa mudou. Começo a ficar sem assunto. Tenho que desligar, conheço os meus limites. Estou indo ao mercado, depois nos falamos, digo.
Da outra vez que me ligou, os bons vento da noite de hoje-é-quinta-e-amanhã-vou-para-casa me deixaram mais animada. Cinema amanhã? Ou um açaí? Sorrio. Um sorriso meio irônico, meio sincero. Cinema e açaí com você eram três das minhas paixões. Vou direto para a fazenda, menti.
Até tento nos enganar, fazer de conta que não me importo mais. Te ver entrar e sair do facebook e não dizer nem oi, ou demorar horrores para te responder quando você inicia uma conversa. Mas sou ruim no disfarce. E você sabe disso.
Podíamos no encontrar menos, uma vez no ano, quem sabe... com um abraço envergonhado, fingindo que nossa história nunca existiu. Mas não. Não porque te criei à imagem e semelhança das minhas melhores ilusões, e assim você tem permanecido. Fecho os olhos e torço: não ligue mais. Sei que sou refém das suas idas e vindas. Não quero te atender. Não quero aceitar seus convites... Mas é que é tão difícil resistir.
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