E de pensar que na sexta passada tudo corria a mil maravilhas, tinha a gente debaixo daquela lua enorme e linda, tinha alguém cantando mpb afinado no bistrô e mais gente que eu nunca, em meus vinte anos de vida, tinha visto na minha cidade pequena . Hoje o celular tocou e não era você, não teve mensagem no whatsapp, face, nem nada. A pergunta que eu esperei não foi feita e as mil e uma respostas que simulei para ela foram se perdendo pela noite insone.
Já pensei em suas obrigações que tomam grande parte do seu tempo, na briga barata que poderia ter acontecido hoje depois de um esbarrão proposital, no meu armário bagunçado, no lixo que deveria ir lá para baixo antes das 23h. Já deslizei o dedo no celular e vi que não fiz quase nada do que anotei para fazer hoje. E quando lembro que na geladeira não tem nada além de gelo e que descongelar a geladeira e ir ao mercado eram dois itens da minha enorme lista no celular, começo a pensar na preguiça que me causam esses pequenos deveres.
E então levanto, sinto o chão que absorve o frio dos 19° que fazem lá fora, confiro se a porta está trancada, recolho os sapatos espalhados pela casa e coloco a água para esquentar. A madrugada pede chá e talvez todos os musicais do velho Chico em 90 minutos para me fazerem companhia enquanto passeio pelas conversas e emails antigos que tenho salvo, ou enquanto percorro as idéias perdidas nas entrelinhas que guardei na memória. Talvez eu só leia o segundo livro do Percy Jackson já que agora ninguém da cidade pode me incomodar.
E enquanto os outros dormem, minha madrugada é infinita. Enquanto os outros dormem eu vejo a imensidão negra da noite se transformando em luz do dia.
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