quarta-feira, 18 de setembro de 2013

fumaça

Acordei, e não foi por causa do vento frio que entrava pela janela, mas talvez porque eu não deveria ter dormido, não sem antes tirar da cabeça o dia horrível que tive e as memórias que cozinham dentro de mim, em banho maria, lentamente, igual ao andado do bêbado que vem subindo a rua com muita dificuldade depois de beber não sei quantas doses de cerveja ou pinga, mas imagino eu que muitas.

Eu queria pular essa parte, esquecer as frases doloridas que tive que ouvir e engolir calada. Queria sair sem pensar duas vezes, fechar a porta e não olhar para trás. Queria fazer alguma coisa pelo bêbado, que agora já está jogado na calçada, recebendo as primeiras gotas da chuva fina que começou a cair depois de um dia quente, talvez o mais quente do ano. Queria, e deveria, mas não o fiz.

Agora é tarde, o relógio já está para despertar, o bêbado, depois de várias tentativas falhas, consegue se levantar e caminhar pela chuva já mais forte. Os momentos tristes vividos poucas horas atrás, de tanto cozinharem, queimaram. Você agora é só fumaça, uma fumaça negra que sai pela janela.

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